Imagem/Igor Veloso

Retrato de Portugal, a tartaruga do crescimento económico

Saiu dia 22 de dezembro de 2021 no Expresso uma notícia que diz o seguinte: “Portugal ultrapassado no PIB per capita por 11 países desde 1999”.

Ora, esta é uma notícia que devia fazer soar os alarmes em toda a classe política. Mas, parece que tal não acontece.

Antes de entrar com mais pormenor no assunto em questão, deixo aqui dois números que retratam toda a situação. Segundo a notícia, o PIB português desde 1999 (ano da criação do euro) a 2023 (de 2021 a 2023 são projeções da Comissão Europeia) vai crescer 28%. Fazendo as contas em 25 anos o PIB cresce 28%, o que dá uma média de 1,12% ao ano. Uma taxa de crescimento tão baixa como esta é o mesmo que dizer que estivemos 25 anos estagnados, 25 anos a desperdiçar oportunidades.

Se compararmos com outros países do euro vemos que estamos no fundo da tabela do crescimento. Pior que nós só a Grécia e a Itália. Quando comparado com os países do leste europeu a realidade é tremendamente assustadora. Os países de Leste, que há uns anos eram muito pobres, hoje já nos ultrapassaram ou estão em vias de o fazer. Ao contrário de Portugal, estes países, no mesmo espaço de tempo, viram o seu PIB aumentar mais de 100% com alguns a encostar nos 150%, ou nos 250% como a Irlanda. Nestes países, a média de crescimento ao ano é 4 a 5 vezes superior a Portugal.

Portugal, está a definir um muito claro, a cauda da Europa. Infelizmente, é este o cenário que vejo dentro de poucos anos para o país. Toda a classe política devia estar a discutir este assunto, mas não é isso que vemos. Ao longo destes anos temos vindo a repetir as mesmas políticas (importa aqui destacar que o Partido Socialista governou a maior parte do tempo) à espera de um resultado diferente. No entanto, hoje já sabemos o resultado, a estagnação económica. Ou mudamos rapidamente de políticas no pós-pandemia ou vamos ter mais uma oportunidade perdida.

Neste artigo de opinião vou detalhar a receita que eu considero fundamental Portugal aplicar urgentemente para inverter este ciclo de declínio.

 

  1. Aumento da produtividade

A produtividade, é um fator determinante no crescimento do PIB, pois quanto mais bens e serviços conseguirmos produzir e quanto melhor for a sua qualidade, mais riqueza vamos conseguir gerar. Em termos de produtividade Portugal encontra-se nos últimos lugares, o que faz com que sejamos um país muito pouco produtivo.

É por isso importante estimular o aumento de produtividade por parte dos trabalhadores.

Uma das formas de o fazer, é estimulando os trabalhadores a serem mais produtivos e recompensando-os por isso. Reconhecendo-lhes o mérito e premiando-os com bónus salariais. Uma verdadeira economia competitiva, estimula o aumento produtivo pois compete pelos melhores trabalhadores e sabe dar valor a cada um deles, coisa que não acontece em Portugal.

Outra forma de o fazer é investindo em capital humano, ou seja, na formação de bons profissionais, e em capital físico, com a compra de melhores equipamentos e numa transição digital de toda a economia. Temos de ser capazes de dar uma boa formação escolar, e depois, ao longo da carreira, uma boa formação profissional (sem esquecer a importância de programas para requalificar trabalhadores) e de saber aproveitar este capital humano utilizando os melhores recursos tecnológicos, automatizando e simplificando processos.

 

  1. Reduzir burocracias, impostos e reformar o estado

Burocracias excessivas prejudicam a iniciativa privada e impõem barreiras á criação de riqueza. A solução passa por simplificar os processos e digitalizá-los para que estes sejam muito mais rápidos e menos dispendiosos. Quanto menos burocracia houver (mantendo um nível mínimo necessário) mais livre se pode desenrolar a iniciativa privada, que é quem cria riqueza.

Por outro lado, também impostos excessivamente altos prejudicam o crescimento económico. E aqui nós somos especialistas. Com uma carga fiscal altíssima para a realidade do nosso país e com impostos em tudo o que mexe, a iniciativa privada sente-se sufocada por um modelo demasiado taxativo. Devíamos estar a pensar em reduzir drasticamente os impostos, nomeadamente o IRS, o IRC e o IVA, bem como todos os outros impostos, taxas e taxinhas que nos cobram sem sequer nos apercebermos. Um nível tão elevado de impostos apenas serve para “sugar” a pouca riqueza produzida.

Interligado aos impostos surge a reforma do estado. É impossível baixarmos impostos com um estado demasiado dispendioso e com uma dívida pública em muito superior ao que deveria ser. Precisamos primeiro de cortar estado onde este não tem de estar. Reformar o seu funcionamento, aumentado a eficiência dos serviços públicos, extinguindo ou privatizando certas áreas que não devam existir ou ser controladas pelo estado (algumas empresas ou organismo públicos) e reduzir os gastos onde estes não são essenciais como mordomias políticas. Também as PPP da saúde que nos pouparam dinheiro e as quais este governo decidiu acabar devem voltar numa lógica de parceria estratégica em público e privado.

A reforma do estado passa também por um combate contra a corrupção que nos custa anualmente 18 mil milhões de euros.

 

  1. Investimento estratégico

O investimento público tem um papel fundamental no crescimento económico e temos agora uma oportunidade de ouro chamada Plano de Recuperação e Resiliência.

Devemos investir numa melhoria das vias de comunicação, em especial a ferrovia, os portos e as estradas. A construção de um novo aeroporto, que parece um processo sem fim (como muitos outros neste país), é também ela essencial para conseguirmos aproveitar ao máximo a capacidade turística de Portugal.

Fora isto devemos fazer uma aposta forte na educação e na saúde, áreas que este governo tem deixado de lado, bem como nas infraestruturas em geral.

Dito isto, importa alterar o rumo e seguir uma receita diferente. Uma receita que transforme a nossa economia e a torne competitiva. Competitiva pelo melhor trabalhador e pelo melhor resultado. Uma economia que consegue produzir riqueza e que não a veja “sugada” por um estado “obeso” e ineficiente. Precisamos de um estado pequeno mas forte nas áreas que lhe competem. Um estado capaz de dinamizar a economia e de sair da frente da iniciativa privada. Um estado poupado mas que investe nas áreas certas.

Dia 30 de janeiro, temos a oportunidade de mudar o rumo de Portugal e não a podemos desperdiçar. Vota!

 

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.

This article was updated on fevereiro 3, 2022

José Costa

José Costa, tem 17 anos, e é aluno do 12º° ano do curso de Ciências e Tecnologia na Escola Secundária Fernando Namora. Tem interesse em política e em projetos na área. É membro fundador e vogal da direção do Polititank. Pertence também à Juventude Valente.