Stand Up X With Piers Corbyn, Jeremy Corbyn's Brother) Rally in Central London sharing their message of Freedom and Anti Lockdown, Masks, and Coronavirus. Antagonizing and scaring some people in the public through Hyde Park, Oxford St, Charing Cross, Covent Garden, The Strand, Leicester Square and stopping off at Trafalgar Square. Some of the more aggressive DFLA & EDL followers who hang around the area of Westminster spent the rest of the day at Parliament Square where things broke off.
Photo by Ehimetalor Akhere Unuabona on Unsplash

QAnon e a minha sanidade mental

Disclaimer – Este artigo é de opinião, portanto discordar dele é natural e de salutar, assim como o reverso. No entanto, isso não significa que tu estejas certo.

Floresceu nestes Estados Unidos da América, uma de tantas outras teorias conspirativas que levam o cidadão (comum ou não) a questionar os alicerces da sua vida em sociedade e mesmo da sua vida pessoal.

Quem segue esta teoria acredita, uns mais outros menos, que há uma cabala secreta, formada por adoradores de Satanás, pedófilos e canibais, que dirige uma rede global de tráfico sexual infantil.

Muitas vezes misturando a última moda, que são os negacionistas, da pandemia, da vacina e outros. Claro que a proliferação deste tipo de “ideologia” pegou como fogo no mato das redes sociais. Embora seja tentador fazer um julgamento sumário, não o farei aqui, para proveito do livre discorrer da minha opinião e da reflexão de todos quantos me leem.

Seguindo o rasto deste movimento, criando algures em 2017, teve o seu apogeu em três datas correlacionadas e importantes.

A primeira, a reeleição de Donald J. Trump no verão de 2018, o agora ex-presidente dos EUA, é visto como uma espécie de salvador dos costumes e tradições de uma América forte, grande e próspera.

Um segundo momento, em Berlim, na Alemanha quando a 29/08/2020 foi executado o “ensaio geral” daquele que viria a ser um dos momentos mais lamentáveis da política americana recente. Nesta tentativa de invasão do Bundestag, disfarçada de manifestação contra as medidas restritivas à pandemia, vários movimentos de extrema-direita como a AFD tentaram, um golpe de estado para a libertação do povo, das amarras do poder político. Foram vistas várias bandeiras americanas e símbolos do Qanon.

O terceiro momento, todos sabem qual foi, a invasão do capitólio e todas as suas consequências, em vidas, em segurança e sobretudo, na recepção geral de que isto não poderia estar a acontecer no centro da democracia ocidental por excelência, mas aconteceu.

A opinião que tenho é simples e profunda ao mesmo tempo.

Simples, porque, na verdade, quando percorro as notícias e os artigos de opinião de um lado e de outro vejo muito medo, muita obstinação e intolerância.

Profunda, porque, na verdade, todos os movimentos, em especial o QAnon, está a ser mais uma manifestação, da incapacidade do ser humano de responder a tantos estímulos, informações, comentários, publicações, debates, ‘podcasts’, rádio, TV, redes sociais, enfim um sem número de separadores vorazes, que requerem toda a nossa atenção bem como todo o volume da nossa massa encefálica a toda a hora.

Ainda assim, permitam-me deixar aqui este pensamento. Depois de ver tantos comportamentos quase animalescos, pensei que poderiam aproveitar o lema do QAnon, — #WWG1WGA, "onde for um, vamos todos nós" — E participar na sociedade, para construir algo, para entender, que se alguém ao pé de ti não compra o que tu estás a vender pode ser por falta de dinheiro, ou por falta de vontade, ou seja, porque não pode ou porque não quer. Seja qual for o caso, a compaixão é a melhor expressão que se me ocorre, sem pena, sem superioridade moral forjada na tua própria cabeça, sem mais. Simples aceitação do caminho alheio. Alheio porque não é o teu e, porque não és tu que percorres.

Podemos ter muitas questões colocadas, muitas dúvidas sobre a direção para onde nos levam às políticas públicas, os investimentos privados, a sociedade civil e até as forças armadas do nosso país. Sobre o que fomos, o que somos e o que seremos. A ética e a moral não são coisas das quais nos possamos apropriar. Temos o dever de nos respeitar a nós próprios tanto quanto temos o dever de respeitar o outro.

Não se tornam proscritos, mortos e enterrados, aqueles que não concordam contigo, os que discutem as tuas ideias, e por muito que isso custe, de vez em quando, faz por entender, por escutar ativamente. Se eu conheço quem me achou estranho, esquisito e desadequado? Sim. Mas então porque não calçar os sapatos de quem é crítico? Agora a minha pergunta é a seguinte: De quem é o problema?

 

 

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.

This article was updated on outubro 25, 2021

Emanuel Almeirante

Emanuel Almeirante é ator, podcaster, músico e massagista. A todas estas (e mais algumas) profissões, acumula a de autor de artigos de opinião, com o tom crítico mas sempre bem-disposto, a que habituou os seus amigos, bem como os ouvintes do Polititank.