Assembleia da República

Pobreza Franciscana e a Laranja na Prensa

O chumbo do Orçamento de Estado era um fantasma que rondava a Assembleia da República, e de tanto rondar atacou, e os deputados da Direita pareciam estar em clima de festa com a derrocada da Esquerda. O problema está que este fantasma não atacou apenas a Esquerda, apressou e deu outro significado às eleições internas quer do PSD como do CDS-PP, em que agora é tudo na pressão.

Os únicos que se beneficiam deste mesmo fantasma são: PS e o Chega. O Partido Socialista vai mostrar que no campo da Esquerda é o único que é responsável e que quer uma mudança social com responsabilidade e que 2015 e Pedro Passos Coelho aconteceram ontem, e que por isso é preciso mudar o país, esquecendo que já nos governam há 6/7 anos.

Mas o PS e em especial António Costa, vai atacar a Direita de que está aliada ao Chega e que farão o mesmo que fazem nos Açores, onde a família César e afins perdeu o emprego. Por outro lado, se o Chega é um combustível do PS, o PS também é do Chega, quando vimos André Ventura a gritar: “Socialismo nunca mais” na Assembleia da República.

O Chega irá querer capitalizar o medo da Esquerda voltar a ganhar como um todo as Eleições Legislativas e continuar o tal processo de “venezualização” de Portugal. O Halloween já passou, mas todos temos os nossos medos, demónios e fantasmas, e os monstros políticos sabem disso e vão usar isso, contra nós.

Por outro lado, as lideranças do PSD e do CDS-PP que estavam meio tremidas, parecem ter ruído, acusam de António Costa estar agarrado ao poder, eu acuso-os de estarem com medo de deliberações interna e de perderem os seus poleiros, de onde não foram capazes de convencer eleitorado, nem sequer das próprias bases.

O caso mais grave está claramente no CDS-PP onde Francisco Rodrigues dos Santos, conhecido como Chicão, cancelou o Congresso do CDS, que seria disputado entre Francisco Rodrigues dos Santos e Nuno Melo. No PSD as coisas parecem ir para o mesmo lugar, mas haverão as directas, que me parece ser a forma de se ganhar tempo.

Estamos todos a lutar contra o tempo, na minha opinião, sem necessidade. Queremos umas eleições para que as pessoas e os partidos, em que nós votamos, estejam clarificados? Ou queremos uma coisa sem cuidado nenhum, em que as emoções vão ser as únicas sufragadas à margem de uma ceia de Natal, em que os dois avós têm ideias diferentes e os tios acham que estão sempre correctos, acima do resto da plebe trabalhadora?

Vivemos um tempo de uma pobreza franciscana no CDS-PP, onde a política debatida ficou-se pelas touradas, aborto, legalização ou não das drogas e da eutanásia. Espera-se muito mais de um partido sério como o CDS-PP, isto não é o PAN, que faz política de clubite. Francisco Rodrigues dos Santos tem que ser Chicão e ir a eleições e não ser um Chiquinho esperto e suspender a democracia interna. Não quer congresso, faça directas.

Assim como temos um PSD, que faz sumo de laranja à pressão, com esta pressão temos o risco de voltarmos ao cenário de ter deputados de uma facção com um Presidente de outra.

Isso só fragiliza a Direita, como António Costa já deu a entender, dizendo que ele sabe que estará no Parlamento em Janeiro, já Rui Rio não consegue dar essa garantia. Em que temos um partido a fazer promessas e campanhas até metade de Dezembro, e outra metade com campanha de Dezembro até Janeiro. Sendo que Rui Rio quer ir coligado com o CDS-PP, Paulo Rangel não, e é uma ideia tão simples, que muda tudo.

Entendam-se, a bem dos militantes dos vossos partidos e a bem de ideias para Portugal.

 

 

 

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.