Assembleia da República

Os pontos nos i’s das legislativas 

Este artigo de opinião foi publicado na edição de 4 de Fevereiro 2022 do semanário Jornal Diabo.

As eleições do passado domingo vieram colocar os pontos nos i’s na política nacional provocando alterações no xadrez político.

O Partido Socialista é o grande vencedor da noite alcançando a tão desejada maioria absoluta, após obter 41,68% dos votos e 117 deputados (ainda sem contabilizados os votos no estrangeiro). Os portugueses validaram em força o atual governo e deram um sinal de que preferem a estabilidade e a continuação das políticas seguidas até aqui.

Antes de ir aos derrotados da noite, vamos aos outros vencedores. Outro grande vencedor da noite foi o CHEGA que viu o seu número de deputados saltar para 12 (deixando de ser um partido de um homem só), afirmando-se assim como a terceira força política no parlamento e conseguindo capitalizar muito voto de protesto a seu favor. Também a Iniciativa Liberal sai vitoriosa destas eleições ao passar a ser a quarta força política no parlamento ao conseguir eleger 8 deputados, capitalizando para si muito do voto jovem, de maior qualificação, e relativamente mais urbano. Isto comprova que a direita está em mudança muito por culpa do PSD, mas já lá iremos. Por fim também o LIVRE sai vitorioso destas eleições ao conseguir um bom resultado em Lisboa e a eleição de um deputado.

Por fim sobram os grandes derrotados da noite. Comecemos pela esquerda. Tanto o Bloco de Esquerda quanto o Partido Comunista saem com derrotas pesadíssimas destas eleições. O facto de terem chumbado o orçamento fez com que fossem penalizados nas urnas com muitos votos a fugir para a maioria absoluta do PS ou para outros partidos. O BE reduz drasticamente a sua bancada de 19 para 5 deputados, quanto que o PCP fica com 6 (o PEV não elegeu ninguém). Por fim temos o PAN que ficou reduzido a um deputado perdendo a influência que tinha. As polémicas da líder, a fraca difusão da sua mensagem e a deslocação de votos para o PS ajudaram a consolidar a derrota.

Outro grande derrotado é o PSD que obtém uma votação abaixo dos 28%. Rui Rio soma assim mais uma derrota, já lá vão três. Se havia dúvidas que Rio e o PSD ao centro, que de partido de oposição tinha pouco, não ganhavam eleições aqui está a prova. A estratégia do PSD falhou em toda a linha. Permitiu uma maioria absoluta do PS, abriu espaço para dois novos partidos crescerem à direita e conduziu o PSD a um péssimo resultado.

O maior derrotado de todos foi o CDS que perdeu a sua representação parlamentar, podendo o partido cair na irrelevância política, sobrando-lhe só a implantação local e os governos da Madeira e dos Açores.

Estas também foram umas eleições que vão mexer nas lideranças partidárias. Catarina Martins terá de se demitir depois do péssimo resultado. O PCP ver-se-á numa encruzilhada para substituir Jerónimo depois de as figuras mais ilustres do partido ficarem de fora da AR. O PSD terá de mudar de líder, o que também não será tarefa fácil. No CDS Francisco Rodrigues dos Santos já se demitiu.

A somar a isto , a maioria absoluta do Partido Socialista veio também colocar os pontos nos i’s quanto ao caminho a seguir nos próximos quatro anos. Vai ser mais do mesmo, que já provou não funcionar. Estamos cada vez mais próximos da cauda da Europa, estagnados, com salários baixos e impostos altos. O país onde a geração mais qualificada de sempre (onde eu me incluo) não tem oportunidades de subir na vida e cada vez mais vê a emigração como a única escapatória.

Estas eleições precisavam de trazer frescura política com um novo governo e novas políticas. Em vez disso vão trazer mais do mesmo. Mais 4 anos perdidos.

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.

This article was updated on fevereiro 12, 2022

José Costa

José Costa, tem 17 anos, e é aluno do 12º° ano do curso de Ciências e Tecnologia na Escola Secundária Fernando Namora. Tem interesse em política e em projetos na área. É membro fundador e vogal da direção do Polititank. Pertence também à Juventude Valente.