Assembleia da República

Ninguém se entende dentro do CDS

Vemos as duas alas do partido andarem constantemente à ”bulha”, com os apoiantes de Francisco Rodrigues dos Santos, conhecido como Chicão, e de Nuno Melo numa guerra constante.

O que é certo é que Chicão não tem tido um mandato fácil. Depois de uma vitória em congresso contra os intitulados, já por várias vezes, barões do CDS, na altura apoiantes da candidatura de João Almeida, o mandato tem sido bastante atribulado. Com meio partido virado contra ele, um grupo parlamentar hostil á sua liderança e com constantes guerras internas, Chicão foi posto á prova várias vezes. No entanto, conseguiu sobreviver a todas. O que é certo é que a imagem do CDS anda pelas ruas da amargura. O partido é alvo de chacota por todos e as sondagens encostam em mínimos humilhantes para um partido como o CDS. Chicão tem voz rouca mas não voz forte. Não conseguiu ganhar credibilidade enquanto líder, sendo visto quase como uma anedota por muita gente. As constantes guerras internas e a imagem criada á volta dele não o ajudam em nada. É triste porque eu acredito que ele nem seja um líder tão péssimo como o fazem parecer mas as circunstâncias não o ajudam em nada.

Mais recentemente o partido voltou a desentender-se, desta vez na questão do congresso. Chicão, empolgado pelas conquistas autárquicas do partido, decidiu antecipar o congresso, para poder clarificar e reforçar a sua liderança. Congresso esse onde iria ter a oposição de Nuno Melo.

Entretanto, ficamos a saber que o orçamento tinha sido chumbado e que por isso iria haver eleições dia 30 de janeiro. Francisco Rodrigues dos Santos, consegue adiantar o congresso para depois das legislativas, afirmando que seria prejudicial para o partido ir a votos numa altura destas e que ele tinha toda a legitimidade para levar o partido a eleições.

Mais uma polémica dentro do partido. Nuno Melo critica esta decisão, invocando a ilegalidade da reunião do Conselho Nacional onde foi votado o adiantamento do congresso.

Depois de tanta polémica e tanta guerra o que é certo é que Chicão ainda está de pé e conseguiu fazer aprovar o adiantamento do congresso, o que mostra que tem apoio dentro do partido, mesmo que a imagem que sai para fora diga o contrário.

Olhando para o PSD, que passou por uma situação parecida, este acabou por ir a congresso e a eleições diretas para eleger o líder. Rui Rio saiu vitorioso, ao vencer Paulo Rangel, ganhando assim uma maior legitimidade e credibilidade enquanto líder.

Pelas sondagens vemos que ir a eleições beneficiou o PSD pois nas sondagens que saíram depois da eleição de Rui Rio o partido tem subido nas intenções de voto já não estando tão longe do PS.

A pergunta que tem de ser feita é a seguinte: o que teria acontecido ao CDS se tivesse ido a congresso? Se Chicão ganhasse provavelmente teria sido benéfico para ele pois gozava de uma maior legitimidade enquanto líder e de uma maior atenção mediática. Restava saber se a partir de aí Francisco Rodrigues dos Santos conseguia reverter o declínio do partido e apresentá-lo como uma forte alternativa de direita.

Nestas eleições, e já conhecidos os candidatos, Chicão, renovou todos os protagonistas com ele próprio a ser cabeça de lista por Lisboa, seguido de José Ribeiro e Castro .

Será que Chicão cometeu o erro fatal ao adiar o congresso? Pessoalmente acho que deveríamos ter tido uma clarificação interna. No entanto nunca vamos saber como seria a realidade com uma vitória do líder em congresso ou com uma vitória de Nuno Melo. Uma coisa é certa dificilmente seria pior do que é agora pois o partido corre o risco de não eleger ou de ficar reduzido a 1/2 deputados.

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.

This article was updated on fevereiro 4, 2022

José Costa

José Costa, tem 17 anos, e é aluno do 12º° ano do curso de Ciências e Tecnologia na Escola Secundária Fernando Namora. Tem interesse em política e em projetos na área. É membro fundador e vogal da direção do Polititank. Pertence também à Juventude Valente.