Assembleia da República

Kyle Rittenhouse e Opiniões Públicas

A 25 de Agosto de 2020, Kyle Rittenhouse foi preso, acusado de homicídio. Encontrava-se nos protestos da ANTIFA, empenhando uma (das famosas) AR-15. Disparou, matando duas pessoas e ferindo uma terceira.

Foi a julgamento há pouco tempo, o que este revelou foi que passamos demasiado rápido a condenar alguém do que a averiguar o que realmente aconteceu. Enquanto o julgamento prosseguia, por essas redes sociais, viam-se reclamações de que “o juiz não está a ser imparcial”, assim como as que não faziam ideia do que aconteceu realmente, mas, afinal, o que importa é ter opinião.

Vamos primeiro aos factos apurados: Kyle foi para os protestos que ficavam a 15 minutos de sua casa, e um amigo levou-lhe a arma. Para quê, também não sei, mas levou. No entanto, Kyle não iniciou confrontos, limitando-se a prestar primeiros socorros, apagando fogos, tirando caixotes do lixo do caminho. Deveria lá estar naquele momento? Debatível, mas estava. Deveria ter arma? Mais uma vez, isso é outra discussão. A certo ponto dos protestos, foi atacado por um homem, que alvejou fatalmente. Não está em discussão se o homem era bom ou mau, até porque não vivemos nas Filipinas, e no mundo ocidental não alvejamos qualquer pessoa que suspeitemos ser criminosa.

Até aqui, tudo mal. Há críticas a apontar a todos os lados, mas também aos media pela cobertura feita ao caso, em sua grande parte. Mais tarde, foi perseguido e atacado por um outro homem que matou. Alvejou o terceiro quando este lhe apontou uma arma, ferindo-o com gravidade. Aquando do seu julgamento, descobriu-se as mentiras da testemunha chave da acusação, da incompetência do procurador, tentando atacar a quinta emenda da constituição americana, até à ignorância dos que comentam sem ver qualquer coisa sobre o caso, desde os que achavam que Kyle é um herói até os que o apontam como racista. E assim continuamos, numa saga de gente que prefere ter opinião a averiguar factos, já para não falar das opiniões mais bárbaras à esquerda e à direita.

E, neste caso, pecam todos por falta de informação. Tanto Kyle como o terceiro agressor adquiriram as armas legalmente (embora a licença do agressor tivesse expirado antes do protesto). E embora este debate já se arraste há algum tempo, parece-me um debate que não vá terminar tão cedo. O argumento de se defenderem de um governo opressor não cola. Até porque o governo tem drones, entre outras coisas.

Poderia Kyle ter evitado isto? Tem todo o direito a estar na rua e ninguém pode (nem deve) querer tirar-lhe esse direito. Mas sabendo que poderia haver confrontos, podemos sempre colocar a hipótese de se estar a colocar numa situação complicada, como se colocou. No entanto, os protestantes não o deveriam ter atacado, com ou sem provocação nada desculpa isto. A decisão do tribunal foi a correta, Kyle defendeu-se e não merece ser preso por defender a própria vida. A não esquecer também que a testemunha da acusação, caso Kyle fosse condenado, teria melhores hipóteses de receber uns 10 milhões de dólares. Por isso, como visto no questionário do advogado de defesa, cometeu perjúrio, e deveria ter sido indiciado por tal ato.

Posto isto, Kyle também não é propriamente um herói. Foi um rapaz que tentou fazer o trabalho onde a polícia falhou, encontrou manifestantes com os quais a polícia deveria ter lidado, defendeu-se como pôde. Dizer que fez bem porque os agressores eram violadores, ou que mereceu ser atacado por andar armado são dois pontos de vista nulos. Como mencionado acima, não vivemos no faroeste, e somos melhores que isto.

Por último, a todos os que venham a ler isto e a argumentar que a ANTIFA “não é uma organização, é apenas um grupo de pessoas que se identifica assim”, deve considerar que realmente, aparte de poder não estar coletada nas finanças, a ANTIFA é a definição de organização e deve ser tratada como tal. E se tiver de ser classificada como organização terrorista, que o seja. Por muito que movimentos como ANTIFA, BLM e afins tenham na sua base uma boa causa, o que fazem delas não o é. Os EUA merecem melhor, e o mundo também.

 

 

 

 

Este artigo é de opinião e por isto suas ideias reflectem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.