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Ensino de melhor qualidade, precisa-se! 

Este artigo foi publicado na edição de 15 de Abril de 2022 do semanário Jornal Diabo.

Como aluno, falar-vos-ei um pouco da minha experiência. Tentarei deixar-vos com o melhor relato possível e com algumas ideias de mudanças para o futuro.

O ensino é o fator mais importante numa sociedade. Um ensino de qualidade é fundamental para garantir oportunidades futuras aos nossos jovens e para construir uma sociedade baseada no mérito e onde o elevador social funciona.

Nos últimos anos, Portugal assistiu a melhorias na escolaridade da sua população. Segundo dados da “Pordata” a percentagem de pessoas com ensino superior passou de 6,1% em 1998 para 24,1% em 2021, enquanto o ensino secundário passou de 10,3% para 25,4%. Em sentido contrário, a percentagem de população sem qualquer escolaridade diminuiu de 19,1% em 1998 para 3,8% em 2021.

O contacto da criança com a escola pela primeira vez acontece no ensino pré-escolar, sendo este um período crucial no desenvolvimento cognitivo e social da mesma. Por isso, garantir uma educação de qualidade, logo nesta etapa, é fundamental. O estado deve garantir o acesso universal a uma educação pré-escolar de qualidade e apoio às crianças mais desfavorecidas ou com mais dificuldades.

Ao longo do meu percurso escolar deparei-me com alguns aspetos que merecem a sua devida atenção.

A primeira delas é a fraca qualidade das infraestruturas de algumas escolas. Infelizmente, é comum vermos escolas velhas, degradadas, onde se passa frio e até chove no interior. Ainda me lembro quando na altura da pandemia foi dada a recomendação no sentido de manter as janelas abertas em pleno inverno. Não é aceitável que os alunos tenham de passar frio nas aulas.

A segunda é a fraca qualidade dos equipamentos tecnológicos. Equipamentos lentos, ultrapassados ou até estragados que dificultam o ensino, pois impossibilitam os professores de os usar para complementar as aulas normais. Não se compreende que em tempos cada vez mais digitais e onde as novas tecnologias, se usadas corretamente, fornecem um precioso auxílio para a aprendizagem não haja um devido investimento nesta área. No entanto, considero que o maior problema relacionado com as tecnologias é a qualidade da Internet. Mesmo com equipamentos de qualidade, se a conexão de Internet não for melhorada, não se consegue aproveitar todo o potencial destes equipamentos.

Os computadores prometidos pelo governo para auxiliar o ensino em tempos anormais, fruto da condição pandémica, demoraram mais de um ano a chegar.

São também necessárias algumas mudanças no funcionamento das escolas. É necessário focar a escola na preparação dos jovens para o futuro, através do desenvolvimento das competências sociais, de trabalho de equipa e cooperação e não apenas para assimilarem matéria para um exame. Depois temos a polémica disciplina de cidadania. A este respeito apenas tenho a dizer que o funcionamento desta disciplina tem de ser alterado. Da minha experiência, raramente eram abordados nela os temas que constam no programa, servindo esta aula muitas vezes para acabar a matéria que ficou por dar. Seria interessante abordar ciência política e literacia financeira nestas aulas.

Não posso deixar de falar no pilar mais importante do ensino, os professores. A carreira de professor deve ser valorizada e o mérito deve ser premiado.

Para além de tudo isto podem ser feitas reformas. Defendo que haja uma maior liberdade de escolha, conseguida através do financiamento por aluno, o que dá aos pais a capacidade de escolher a escola que mais lhes agrade. Deve ser dada autonomia às escolas para gerirem o seu funcionamento, contratarem professores e funcionários e adaptarem a sua oferta de ensino. Temos de acabar com a centralidade de decisões num único órgão que, muitas vezes, desconhece a realidade local. Descentralizar a maioria das decisões para as autarquias e escolas e focar o Ministério da Educação quatro competências: fazer os programas e os currículos, elaborar os exames nacionais, definir as carreiras e fiscalizar a atuação das escolas e municípios.

Ensino de melhor qualidade, precisa-se!

This article was updated on abril 30, 2022

José Costa

José Costa, tem 17 anos, e é aluno do 12º° ano do curso de Ciências e Tecnologia na Escola Secundária Fernando Namora. Tem interesse em política e em projetos na área. É membro fundador e vogal da direção do Polititank. Pertence também à Juventude Valente.