Assembleia da República

Compêndio Europa

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Prefácio

É um gosto especial assinar o primeiro prefácio do primeiro Compêndio do Polititank, o Compêndio de Maio. Não posso esconder o desejo de assinar muitos mais, claro sinal de vitalidade do Polititank.

Nascemos por sorte no mês de Abril, primeira actividade foi no dia 25 de Abril, pelo que temos em nós o espírito livre de Abril, mas foi no mês de Maio que fizemos real trabalho de divulgação e de política.

O presente trabalho é um esforço colectivo, em que queremos pensar, reflectir e chamar a atenção para vertentes europeias, pois decidimos que o mês de Maio seria o nosso mês da Europa.

Dia 9 de Maio é um dia importante, todavia, não é celebrado da forma que devia, pois a 9 de Maio, Robert Schuman fez a sua famosa declaração, um pequeno passo para toda a estrutura que hoje em dia existe, foi a real primeira pedra do sonho dos Estados Unidos da Europa para uns, de uma Europa Federada, de um lugar com livre circulação de pessoas, mercadorias e serviços, um lugar de cooperação e ajuda para uma competição a uma escala supranacional.

Este é também o nosso espírito, livre partilha e circulação de conhecimento.

Pretende-se que com este espírito vamos produzindo conteúdos próprios, sempre com rigor científico.

A Europa tem várias semânticas, várias assunções, vários imaginários. Quando dizemos Europa, não falamos apenas no continente, que tem a ponta mais ocidental no nosso Cabo da Roca, e o fim a leste nos Montes Urrais.

Pensamos naquilo que é esta instituição sui generis política, pensamos nas suas dinâmicas políticas e económicas com o mundo.

A Europa passou a ser uma vertente aglutinadora. Passou a ser uma bicicleta que todos pedalam, apesar de por vezes, uns pedalarem mais, outros quererem irar o guiador, e outros esvaziarem os pneus.

A Europa tem muito para dar e somos todos nós que a construímos, não apenas de 5 em 5 anos nas Eleições Europeias, mas também naquilo que são os vários programas que ela tem durante todo o ano, para que todos os europeus possam usufruir, mais do que isso, todos os dias usufruídos de infraestruturas, que foram financiadas acima de 50% com fundos europeus: pontes, escolas, centros de saúde, hospitais, estradas, edifícios públicos, etc…

Não podemos virar as costas à Europa, foi um longo caminho que nos trouxe até aqui. Existe uma cultura europeia intrínseca, diferente entre cada país e até mesmo heterogénea em cada país, mas que nos conecta a todos, há que defender igualmente essa cultura, essa identidade, que faz com que o centro cultural do mundo continue a ser a Europa como um todo.

Em relação ao centro político e económico, esses, podiam voltar a estar no nosso continente, mas enquanto existirem forças contrárias internas, a Europa, que é o maior bloco económico do mundo, não voltará a ser mandante na economia, nem na política. Demasiado dependente dos EUA, com medo da Rússia e da China, a Europa está no meio do tabuleiro, é necessário coragem e audácia, para posições próprias, para criação de um espaço próprio de acção e de afirmação.

Há que ter orgulho em ser europeu, ao contrário do que nos querem dizer as redes sociais, que tendem a fazer-nos pedir desculpa por respirar, não compro essa narrativa.

Tal como disse Jean-Claude Juncker, a Europa sai mais forte depois das crises, então que 2020 e 2021 tenham sido anos em que os europeus percebam finalmente que unidos vencerão, divididos serão perdedores do seu próprio destino, percurso, rota.

Cada página é Europa, percebermos como ela é, é sabermos como a podemos agradecer e melhorar.

Cláudio Fonseca,

Fundador do Polititank

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