Assembleia da República

A Europa, a NATO e o mundo unidos pela Ucrânia 

Este artigo foi publicado na edição de 11 de Março de 2022 do semanário Jornal Diabo.

No dia 24 de fevereiro o exército russo, às ordens do presidente Vladimir Putin, invadiu a Ucrânia, um país livre e soberano. Invasão essa que merece toda a nossa condenação e que representa um claro desrespeito pela dignidade e soberania do povo ucraniano. Putin visa instalar na Ucrânia um governo fantoche pró-Rússia, tal como o que já existe hoje na Bielorrússia.

Do lado da Ucrânia tem se assistido a uma resistência feroz ao avanço das tropas russas. Os ucranianos, claramente em desvantagem militar, têm optado por uma resistência de guerrilha de modo a atrasar e fazer o máximo de baixas russas possíveis. O escasso apoio militar de países da NATO e da Europa, que se baseia em fornecer armamento e equipamento, tem de certa forma ajudado as tropas ucranianas, embora seja insuficiente, a resistir aos russos.

No resto do mundo a reação foi quase unânime. Praticamente todos os países condenaram a invasão russa e prestaram solidariedade para com a Ucrânia. O mundo uniu-se para pedir o fim da guerra, com milhões de pessoas a saírem às ruas em manifestação. Em Portugal a reação não foi diferente, com a grande maioria a condenar as ações de Putin. O PCP foi a única exceção, incapaz de dizer de forma clara que condena a Rússia atirando a culpa da invasão para a NATO e para o imperialismo dos EUA. Aliás, os dois eurodeputados do partido votaram contra a resolução do Parlamento Europeu que condenava a invasão russa. Também o Bloco de Esquerda andou dividido entre condenar ou não, mas depois de alguma indecisão e de ver onde estava a opinião pública, lá condenou o ataque. No entanto, ambos os partidos defendem a saída de Portugal da NATO.

Um leque de países, onde se incluem a Europa e os EUA, impuseram duras sanções económicas e energéticas à Rússia, das quais se destacam a exclusão de bancos russos do sistema SWIFT, o congelamento de bens dos oligarcas russos que suportam Putin, a suspensão do Nord Stream 2 ou o enceramento do espaço aéreo para aviões russos.

Desde que a guerra começou Ucrânia, Moldávia e Geórgia pediram formalmente a sua entrada na União Europeia. União Europeia essa que se irá modificar bastante nos próximos tempos. Primeiro, poderá vir a ter novos membros. No entanto, a entrada destes países ainda irá demorar e duvido que a adesão da Ucrânia se verifique tão depressa, pois o desfecho desta guerra é imprevisível. Apesar disso, é um claro sinal da aproximação de países ex-URSS à Europa ainda para mais perante a ameaça de uma invasão russa. Além disso, daqui para a frente, os países europeus vão começar a olhar com outros olhos para o setor da defesa, passando a aumentar o investimento nesta área, indo ao encontro do objetivo de 2% do PIB. A defesa não pode ser menosprezada, pois, revela-se fundamental em situações como a atual. Também na questão dos refugiados, que já passaram o milhão, a Europa respondeu unida, com vários países disponíveis para acolher e integrar cidadãos ucranianos. Na questão energética, os países europeus perceberam que não podem ficar dependentes das fontes russas.

Por outro lado, também a NATO se encontra mais unida. Países como a Finlândia ou a Suécia ponderam aderir a esta organização após perceberem o perigo que correm ao estarem sozinhos militarmente ao pé da Rússia. Quem dizia que a NATO estava morta e quem defende a saída de Portugal da mesma está alheado da realidade. A NATO serve exatamente para estes momentos, para atuar em defesa da soberania dos seus membros.

Putin conseguiu colocar a NATO, a Europa e o mundo unidos pela Ucrânia. Uma guerra traz sempre uma mudança nas relações entre os países, e esta não é exceção. Daqui para a frente iremos assistir a muitas mudanças na Europa.


Este artigo é de opinião e por isto suas ideias refletem a visão do autor e não de todos os membros do Polititank.




This article was updated on abril 17, 2022

José Costa

José Costa, tem 17 anos, e é aluno do 12º° ano do curso de Ciências e Tecnologia na Escola Secundária Fernando Namora. Tem interesse em política e em projetos na área. É membro fundador e vogal da direção do Polititank. Pertence também à Juventude Valente.