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100 anos da chegada de Estaline e Mussolini ao poder – o que une e o que separa os dois titãs totalitários do século XX

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“Os homens normais não sabem que tudo é possível”

David Rousset (in As Origens do Totalitarismo, ARENDT Hannah)

O ano de 1922 foi histórico no que a mudanças político-sociais no Velho Continente diz respeito: a emergência de dois estados totalitários – Itália e União Soviética -, e a queda de um império com mais de 600 anos, o Império Otomano.

Achei por bem escrever e publicar um artigo que procurasse comparar as duas maiores tiranias ideológicas do século XX, no ano em que se “celebram” (no sentido de recordação, não de júbilo ou gáudio, pelo menos para qualquer democrata) os 100 anos da chegada ao poder de dois dos maiores titãs (e tiranos) político-ideológicos do século XX – José Estaline e Benito Mussolini.

Chegada de Koba ao poder na União Soviética

A 25 de outubro de 1917, a fação radical do Partido Operário Social-Democrata Russo, os bolcheviques, derrubou o Governo Provisório de Alexander Kerensky, que governava a Rússia desde a Revolução de Fevereiro na qual o então Czar Nicolau II foi forçado a abdicar do poder absoluto em favor de um governo eleito por sufrágio. Liderados por Vladimir Lenine, os bolcheviques tomaram de assalto o Palácio de Inverno de Petrogrado, onde estava sediado o Governo Provisório, proclamando a criação de uma nova entidade estatal, a Rússia Soviética, cuja base ideológica seria o comunismo.

Após a Revolução, a fação societária aliada ao regime czarista revoltou-se contra a dissolução da democraticamente eleita Duma por Lenine bem como a saída da Rússia da I Guerra Mundial personificada no Tratado de Brest-Litovsk, sob a forma do recém-criado ‘Exército Branco’ – nada mais nada menos que os resquícios do exército czarista leal à causa dos Romanov. Estava dado o mote para a Guerra Civil russa, que duraria até 1922 com a vitória total dos bolcheviques.

Foi durante este período que um georgiano de nome Josef Vissarionovich Stalin, vulgo José Estaline, seminarista convertido comunista, filho de um sapateiro e de uma devota ortodoxa, percorreu os meandros do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) até ser nomeado, por Lenine, Secretário-Geral. Convencidos que o cargo atribuído a Estaline era de menor importância, as altas patentes do PCUS como Lenine, Trotsky ou Kamenev, menosprezaram Estaline, que viam como um mero administrativo. Contudo, o posto assumido pelo Koba possuía uma importância estratégica que Estaline soube aproveitar – o cargo de secretário-geral permitia-lhe decidir quem assistia ou não aos congressos, quem podia ou não participar em reuniões, decisões que estimularam Estaline a, progressivamente, selecionar os mais leais para os diferentes cargos ou eventos, tratando de remover aqueles que considerava como inimigos ou que, simplesmente, discordavam das suas políticas e abordagem.

Estava dado o mote para que, em 1924, após a morte de Vladimir Ilyich Lenine, Estaline assumisse o poder absoluto e se tornasse de facto o líder supremo da União Soviética até à sua morte em 1953.

Chegada do Il Duce ao poder na Itália

Com a chegada de um novo milénio ao Velho Continente, a Itália parecia estar a ficar para trás no que a desenvolvimento industrial diz respeito, relativamente aos seus parceiros do norte e centro da Europa, nomeadamente o Kaiserreich alemão e a République française. Com as tensões a atingirem o rubro nas fronteiras do Império Austro-Húngaro, um jovem colunista para o jornal Avanti e membro do Partido Socialista Italiano, de nome Benito Mussolini, viu-se envolvido no conflito bélico, ao ser enviado para a frente de combate e acabando ferido. Inicialmente contra a guerra, Mussolini rapidamente tratou de mudar a sua posição, percebendo que o conflito estimularia convulsões sociais nos principais impérios europeus, nomeadamente o Austro-Húngaro, sobre o qual o jovem de Predappio entendia que a Itália devia de acolher territórios leais à nação italiana que estavam sob o jugo da casa dos Habsburgos. Começava a cisão com o Socialismo italiano, iniciando-se a construção do ideário fascista, consubstanciada na criação do movimento fasci de combattimento em 1919.

Apesar de vitoriosa no final da I Guerra Mundial, a saída italiana do conflito foi tudo menos airosa, já que tinha sofrido custosas perdas e as suas patentes militares e sociedade civil no geral, sentiam-se menosprezados pelos parceiros da Tríplice Entente, nomeadamente a França e o Reino Unido. Ao participar no conflito in loco, Mussolini presenciou o descontentamento e ressentimento das forças armadas italianas, tratando de arregimentar apoiantes para a causa fascista assim que retornasse à terra natal.

Assim, após reunir 26.000 partidários armados, todos vestidos com camisas pretas (daí o apodo Camisas Negras), dirigiu-se ao Rei Vítor Emanuel III que lhe propôs a formação de um novo governo, instaurando Mussolini como Primeiro-ministro italiano, autointitulado Il Duce desde 1925 até à sua morte em 1945 (como numa paródia do termo César no período romano).

O que os une

A personificação do Estado

Como é sugerido pelo termo totalitarismo, um Estado totalitário é aquele onde o poder político se personifica numa só pessoa ou elite que detém, por isso, o poder total. Tanto Estaline como Mussolini concentraram em si todo o poder emanado pelo Estado, quer por via de se autointitularem “Marechal do Império” – no caso de Mussolini -, ou Secretário-geral do PCUS por Estaline (sempre mais discreto, diga-se). Todas as decisões passavam pelo seu crivo, o Estado confundia-se com a sua figura, a obediência ao Estado era a obediência a Estaline e Mussolini.

Estado total e omnipresente

Semelhante à característica apresentada acima, a omnipresença do Estado verificava-se também, no ódio ao liberalismo, ilustrado no efetivo controlo absoluto da economia, quer por via da absorção dos diferentes setores de produção e atividade pelo Estado, quer pela formação de aglomerados de empresas controlados indiretamente pelo Estado – o corporativismo. Esta característica foi projetada pela incessante propaganda veiculada pelas máquinas partidárias soviética e italiana, Glavlit e Sottosegretariato di Stato per la stampa e la propaganda.

Código de conduta baseado na violência

Uma das mais importantes características comungadas pelos regimes de Estaline e Mussolini é o recurso a um código de conduta baseado no emprego da violência. Tal como Maquiavel havia afirmado há mais de seis séculos atrás, “o Príncipe não deve olhar a meios para atingir o poder absoluto”, uma máxima que se tornou diretriz nas políticas dos dois ditadores.

Se Mussolini fazia uso da sua milícia paramilitar Camisas Negras e polícia política OVRA para fazer valer o seu poder, sob a forma de intimidação, encarceramento ou até mesmo execução, de opositores políticos, militares ou civis, Estaline reformulou a já existente Cheka, renomeando-a de NKVD, uma nova máquina de repressão sociopolítica chefiada pelos sádicos Anão Sanguinário Nikolai Yezhov e Lavrenti Béria, e responsável por aproximadamente 20 milhões de mortes.

O emprego da violência foi fulcral para a sobrevivência destes dois tiranos no poder, com um deles a atingir o cúmulo de justificar publicamente os relatos de violações perpetradas por soldados soviéticos aquando da Operação Bagration: “Quando o jugoslavo Milovan Djilas protestou contra a desonra de 111 jugoslavas eslovenas, Estaline discursou de lágrimas nos olhos: «Depois de todo o sofrimento pelo qual os soldados passaram, qual é o mal de se divertirem um pouco?»”.

Xenofobia e antissemitismo

Apesar de associarmos, e corretamente diga-se, o regime nazi a desumanos atos de xenofobia e antissemitismo consumados no Holocausto e na Solução Final de Wannsee, Mussolini e, ainda mais, Estaline, são conhecidos pelo seu antissemitismo e xenofobia.

Tanto o fascismo Mussoliniano como o Estalinismo são embebidos de uma característica fulcral de toda a ideologia totalitária – nacionalismo. O nacionalismo pressupõe a superioridade de uma nacionalidade, etnia ou raça, sobre outras que, evidentemente, consideram como inferiores. Auschwitz, Majdanek, Bergen-Belsen ou Sobibor, são nomes que costumamos ouvir quando falamos de crimes nazis contra a humanidade. O regime de Mussolini foi menos brutal no que a isso diz respeito e, apesar de se associar a presença de campos de concentração na Itália à ocupação nazi na (cómica) República Social Italiana, Servigliano estava já em funcionamento desde 1940, 3 anos antes da intervenção nazi, por onde se crê terem passado aproximadamente 5000 pessoas até 1943. A abordagem de Estaline ao antissemitismo e à xenofobia foi radicalmente diferente daquela protagonizada pelo regime de Mussolini (para pior…).

Numa época onde o antissemitismo e a xenofobia floresciam pelas ruas (e cervejarias) da mittleuropa, Estaline não ficou imune a este tipo de radicalismo. Pensei em abordar duas atrocidades, das muitas cometidas pelo regime estalinista, que demonstram a natureza xenófoba e antissemita do regime soviético: o Holodomor e a deportação de judeus para a jovem República Judaica de Birobidzhan.

O primeiro – Holodomor – é aquilo que considero ser o pináculo da xenofobia totalitária de Estaline. Este consistiu no corte deliberado das cadeias de abastecimento de alimentos e energia à ex-República Socialista Soviética da Ucrânia, num esforço malévolo para destruir e fazer desaparecer a cultura e mentalidade ucranianas, consubstanciadas como quaisquer outras, nas pessoas que habitam aquele território (é de notar que a russofilização da Ucrânia, bem como das restantes repúblicas, se deveu à intenção de Estaline de evitar dissidências e homogeneizar a URSS).

O segundo caso remonta à criação de uma entidade administrativa no Extremo Oriente soviético, na fronteira com a Manchukuo japonesa, de nome Distrito Nacional Judaico (atual Oblast Autónomo Judaico), em 1934. O projeto foi obra e graça de Estaline que, tal como o seu homólogo alemão, se queria “ver livre” da etnia judaica que anteriormente habitava os shtetls da Europa de Leste. Milhares de judeus foram enviados para a capital, Birobidzhan, apenas para encontrarem uma região pantanosa, infestada de insetos, onde a construção era inexistente – um campo de trabalho dissimulado, portanto.

Militarismo como forma de projetar poder

Uma característica fulcral da ideologia totalitária é a de que a economia do país deve ser direcionada para um esforço de guerra, deve ser proeminentemente uma economia de guerra. O militarismo deve estar presente em todas as camadas da sociedade, desde a infância à velhice.

Esta é uma particularidade que ambos comungam: a ideia de que o futuro de cada rapaz é a servir a pátria nas forças armadas, a omnipresença de forças securitárias paramilitares, como os Camisas Negras ou o NKVD, a prossecução de políticas económicas mercantilistas que, por princípio, estimulam à não cooperação e, evidentemente, o conflito, como se verificou na Abissínia (atual Etiópia) e na Finlândia, ambos anteriores à entrada da Itália e URSS na II Guerra Mundial.

O que os separa

Internacionalismo vs Imperialismo

Um fator de distinção entre a ideologia comunista e o fascismo é a forma como expandem e espalham o seu poder político-ideológico para fora das confinadas fronteiras do Estado-berço da ideologia. Na prática, o objetivo é o mesmo – a conversão de outros Estados à sua ideologia e poder. Penso que a principal diferença está na terminologia jurídica usada para a caracterizar: de facto ou de jure.

Dado ser uma ideologia puramente revisionista, os fascistas procuram reviver passados que consideram gloriosos e onde à sua nação foi dada a oportunidade de expandir o seu poder. É por isso comum que estados fascistas quisessem recriar entidades político-administrativas como os seus ex-impérios. O caso Mussoliniano é exemplo disso: a reconstrução do Império Romano em redor do Mare Nostrum através da posse de jure (pela lei) de territórios intraeuropeus e ultramarinos (Abissínia, Eritreia, Somalilândia e Líbia).

Já o caso estalinista ou comunista remete-nos para o conceito soviético de internacionalismo, ou seja, a projeção do poder soviético através da propagação dos ideais comunistas que, por definição, estimulariam convulsões sociais, disrupções sociopolíticas, resultando (na sua perspetiva) na eventual revolução e ditadura do proletariado. O Estado soviético não necessita de anexar ou colonizar territórios, apenas controlá-los de facto (na prática) internamente através da ação conjunta e concertada dos partidos comunistas sobre a égide de Moscovo – Comintern.

Estado Nacionalizante vs Estado Corporativo

O plano económico constitui, provavelmente, a maior zona de fricção entre os dois titãs totalitários.

Famoso pelos seus planos quinquenais que transformaram um país industrialmente deficiente numa superpotência mundial nos finais da década de 1940, Estaline adotou a reta e intransigente política económica marxista-leninista de coletivização e nacionalização económica, que consistia, na prática, na absorção por parte do Estado de todos os setores económicos, detendo por isso um monopólio sobre a produção e abolindo a propriedade privada – dekulakização. Apesar dos rápidos resultados, o crescimento económico soviético não surgiu sem custos humanos e, à semelhança do aprendiz chinês 20 anos mais tarde, cerca de 30 milhões de soviéticos pereceram perante as suas políticas económicas.

A ideologia económica de Mussolini distingue-se da planificação estalinista pela dimensão da intervenção estatal. Apesar do fascismo ter por premissa a concentração do poder no Estado, tanto militar como económico ou social, a abordagem relativamente ao comunismo é substancialmente diferente: ao invés de proceder a políticas de nacionalização e coletivização, o fascismo de Mussolini adotou a política de corporativização de economia, ou seja, da aglomeração de diversas empresas e setores económicos que partilhem uma característica (em princípio o produto produzido ou serviço prestado) em corporações, entidades essas que seriam geridas de forma indireta pelo Estado através de câmaras corporativas – o Estado decidia o que devia de ser produzido, por quem é que devia de ser produzido, dirigindo, em última análise, a produção para satisfazer uma economia de guerra, onde o enaltecimento do progresso e da máquina são fulcrais (futurismo).

Luta de classes vs Luta de raças

Toda a ideologia totalitária nasce do ressentimento de uma franja ou totalidade da população face a algo ou alguém procurando, por exemplo, fazer de comunidades etnicamente minoritárias o bode expiatório da miséria ou convulsão que se vive na sociedade. O alvo do ressentimento e revolta social constitui a diferença entre Estaline e Mussolini.

Dado ser um comunista, Estaline estava embebido da teoria marxista de que a burguesia era a classe social culpada pela miséria vivida pelos operários, que se deveriam libertar da opressão e instaurar a ditadura do proletariado – esta seria o resultado da vitória operária numa constante luta de classes que culminaria com a total destruição da classe burguesa. As políticas de dekulakização e coletivização são exemplo da aplicação do ideário marxista na URSS (que havia sido “traído” durante o NEP, diga-se).

O alvo da política de Mussolini, além de fervorosamente anticomunista e iliberal, eram os povos que considerava como inferiores e que, por inerência, necessitavam de ser civilizados pelas tropas do Duce. A incursão na Abissínia, que acabou por se tornar uma humilhação para as forças italianas levando-as a recorrer a ataques com armas químicas para subjugar a população endógena, é exemplo do desprezo de Mussolini pela soberania de uma nação independente e o povo que a habita – a raça italiana era, na sua visão, superior a qualquer tipo de etnia ou cultura africanas.

Ateísmo de Estado vs Compactuação com a Igreja

A última diferença fundacional que pretendo abordar neste ensaio é a relação do Estado com a religião.

No caso italiano, a enorme preponderância da Igreja Católica na sociedade consubstanciou-se na assinatura do Tratado de Latrão, onde uma concordata entre a Igreja e o Estado italiano foi acordada. A Igreja Católica adotou uma postura ambígua durante a era de Mussolini, refletindo-se sobretudo no desejo de manter o comunismo fora do arco de poder e, por isso, não se opondo de forma expressa e muito evidente às ações políticas do Il Duce. Note-se que, do outro lado do Adriático, a Igreja Católica protagonizou um enorme papel na instauração do fascista Ante Pavelic, como demonstram as ações do Cardeal Draganovic, próximo da cúpula do Vaticano e que, alegadamente, cometeu atrocidades contra crianças ortodoxas em nome da purificação católica da Croácia Ustashe.

Já Estaline demonstrou ter uma abordagem completamente diferente relativamente à questão religiosa: apesar de ter sido seminarista, o regime estalinista não tardou em perseguir aqueles que eram contra o ateísmo estatal que, evidentemente, suprimia qualquer tipo de liberdade religiosa. Dois exemplos clarificam bem aquilo que foram as perseguições a clérigos, comunidades religiosas e o desprezo pelo Sagrado – a conversão de um mosteiro, de nome Mosteiro de Solovetsky, num protótipo para aquilo que viriam a ser os campos de trabalho soviéticos GULAG.

A União Soviética de Estaline era composta por diversas nações, cada uma com a sua particularidade étnico-religiosa, muito à semelhança da Rússia de Putin. Isto serviu, logicamente, de pretexto para Estaline perseguir e massacrar comunidades religiosas milenares em nome do ateísmo socialista soviético – a deportação em massa de Chechenos e Tártaros da Crimeia e Cáucaso, respetivamente, para campos de trabalho forçado nas ex-repúblicas islâmicas da Ásia Central levaram a que, por exemplo, muitos dos chechenos retornados à terra natal enveredassem pelo islão radical (wahabismo) contra décadas de opressão de Moscovo.

Contudo, é de notar que, como um verdadeiro adepto das políticas maquiavélicas, Estaline fez uso de séculos de presença e influência da Igreja Ortodoxa no Império Russo para arregimentar os seus súbditos na guerra contra o invasor fascista, a Alemanha de Hitler. Ao longo da Grande Guerra Patriótica (nome dado à II Guerra Mundial pelos soviéticos), o culto religioso foi permitido como forma de dar alento e Fé às populações, nomeadamente nos primeiros anos de ocupação – 1941 e 1942 -, quando era para todos percetível a esmagadora superioridade da máquina de guerra alemã face ao inexperiente Exército Vermelho. Contudo, após o final da II Guerra Mundial, as restrições à liberdade de culto foram reintroduzidas, a julgar pelo comentário de Estaline em resposta à afirmação de Churchill de que Deus estava ao lado dos Aliados na luta contra Hitler: “E o Diabo está do meu!”



Estaline e Mussolini foram, sem dúvida, duas extravagantes personagens, bem como ditadores sanguinários e tirânicos, que ficaram na História como os fundadores de dois dos maiores sistemas totalitários jamais existentes – o fascismo e o estalinismo -, acerca dos quais não nos devemos nunca esquecer.